Goiânia e o desafio da mobilidade: uma metrópole que cresceu sem planejamento
A capital goiana enfrenta uma crise de mobilidade urbana que é resultado de décadas de crescimento acelerado sem infraestrutura adequada.
Goiânia foi planejada. Diferentemente de muitas cidades brasileiras que cresceram de forma orgânica e caótica, a capital goiana nasceu de um projeto urbanístico elaborado na década de 1930, com avenidas largas, praças generosas e uma lógica de zoneamento que deveria garantir qualidade de vida aos seus habitantes.
Oitenta anos depois, o planejamento original está soterrado sob camadas de crescimento não planejado. A cidade que foi projetada para 50 mil habitantes abriga hoje 1,5 milhão de pessoas, e sua região metropolitana ultrapassa 2,5 milhões. As avenidas que eram largas tornaram-se insuficientes. As praças que eram generosas tornaram-se ilhas num mar de concreto e asfalto.
O resultado é uma crise de mobilidade que afeta diretamente a qualidade de vida dos goianienses. Pesquisa do Instituto de Mobilidade Urbana mostra que o tempo médio de deslocamento casa-trabalho em Goiânia é de 52 minutos, o quinto maior do Brasil entre cidades com mais de 500 mil habitantes. Em horários de pico, esse tempo pode dobrar.
A solução não é simples. Goiânia não tem metrô — a cidade chegou a iniciar obras de um sistema de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) nos anos 2000, mas o projeto foi abandonado por falta de recursos. O transporte público é baseado exclusivamente em ônibus, com uma frota que especialistas consideram insuficiente e mal distribuída.
"Goiânia precisa de uma decisão política corajosa sobre mobilidade. Não dá para resolver o problema com mais asfalto. Precisamos de transporte público de qualidade, ciclovias e políticas que desincentivem o uso do carro", disse o urbanista Paulo Mendonça, professor da UFG.